Fig. 1 - Sujeira no amanhecer do segundo dia após chuva com ventania e noite mal dormida,
Oito horas da manhã, tivemos de estender todas as coisas sujas de areia e molhadas, entre as coisas encontravam-se os tênis e as meias, já se imagina como estavam ficando os pés (fig. 1). Como o sol era forte, conseguíamos secar bem as coisas e tirar a areia, mesmo assim as bicicletas ficaram com areia nas correias e notamos a necessidade de tirar essa areia de alguma forma para não ocasionar em problemas no decorrer da viagem, contudo, até ajeitarmos bem as bagagens era dez horas e trinta da manhã, um tempo perdido que deve ser diminuído, pois pela manhã é o melhor horário para pedalar, o sol é baixo e diminui os gastos energéticos. A dificuldade passada na noite passada reflete na organização que o acampamento ficou.
Uma das fotos que chamam atenção, demonstra a distância que tinha para acharmos algum local para dormir.
Caminho sendo desbravado pela mãnhã.
Sete quilômetros da partida do dia e as doze horas e dez minutos, encontramos um grande lobo-marinho morto, o primeiro achado da viagem, uma das curiosidades que estávamos procurando, exceto por estarmos procurando talvez algum vivo. Paramos para tirar fotos, o Alexandre arrancou alguns dentes do animal (fig. 2), a carcaça estava exalando bastante o cheiro de podridão, mas o contato já deu uma baita motivação para a viagem.
Fig. 2 - Alexandre dentista necropsista.
Excisão de canino.
Cinco quilômetros a frente encontramos um navio, já marcava doze horas e quarenta minutos, o calor já era maior, porém o ritmo também começava a melhorar, era notável alguns sinais de cansaço, como a própria dor no meu joelho, mas parar era pior, a cada parada era um sacrifício subir e dobrar meu joelho para subir na bicicleta, no entanto eram necessárias e a vontade e a perseverança de desbravar aquela praia era incrível.
Quatro quilômetros a mais e encontramos a primeira tartaruga-marinha, o olhar novo para alguns já demonstrava o valor imensurável para a viagem, quase treze horas. Meia hora depois, e mais dois quilômetros percorridos encontramos uma espécie de banheiro, patente, coisa bizarra para se encontrar na beira da praia (fig. 3), ao lado encontrava-se uma entrada para carros onde dava numa floresta de Pinus, dava razão ao achado, paramos para o lanche, fizemos uma marcação de passagem nas tábuas que faziam parte da patente para que alguém veja que passamos realmente por ali.
Patente e Alexandre "aproveitando" a sombra.
Marca deixada na patente.
Ali o cansaço era notado, ficamos um bom tempo, cerca de mais de meia hora e antes de pegarmos praia novamente, avistamos a sul nuvens carregadas, discutimos se iríamos pedalar, mensurou-se a possibilidade de raios e os perigos adiante, pois alguns não tinham proteção individual para chuva, no entanto, demos partida e mais a frente a chuva começou e engrossou rapidamente, voltamos ao local onde tinha entrada para a floresta de Pinus, tentamos proteger as coisas, não adiantou, muitas coisas saíram encharcadas e para piorar o pneu da bicicleta do Fernando furou e na chuva mesmo trocamos ele.
Frente fria.
Na floresta de Pynus, notamos os cortes feitos nos troncos para a retirada da seiva das plantas e avistamos adentro da floresta umas casas e fomos pedir informações, uma delas era a quantos quilômetros se localizava o farol, o qual era o objetivo do dia. As pessoas que trabalhavam naquele local não aparentavam nenhuma amizade, além de aparentarem estarem trabalhando em condições ruins, uma coisa bem questionável, pois o que mais ficava era que as pessoas que estavam lá não tinham outra opção senão trabalhar naquele emprego. Quando caiu a chuva, a qual era torrencial mesmo, tentamos ir a praia durante a precipitação para se abrigar na patente, já que nas casas não podíamos ficar (e nem era bom mesmo), ventava muito na beira-da-praia, pois não tinha as barrreiras feitas pelos Pinus, foi difícil agüentar a chuva, mas a vencemos (fig. 4).
Fig. 4 - Pós-chuva.
As informações que obtivemos era que o farol ficava a 20 quilômetros adiante, todavia já eram dezoito horas e vinte minutos, como era horário de verão, anoitecia para mais das 20 horas, este era o sensato tempo para tentar o objetivo, demos partida. Incrivelmente chegamos bem no anoitecer, o sol estava se pondo, a visão do farol era mais um objetivo alcançado, incrível como sob pressão, os desafios são alcançados.
Estado calamitoso da equipe, farol detalhe.
Preparo do rango.
Rango.
Na mesa.
Dilíííícia!!