terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dia 2 – 27 de março – 8 horas – O Dia das intempéries da natureza

Fig. 1 - Sujeira no amanhecer do segundo dia após chuva com ventania e noite mal dormida,
Oito horas da manhã, tivemos de estender todas as coisas sujas de areia e molhadas, entre as coisas encontravam-se os tênis e as meias, já se imagina como estavam ficando os pés (fig. 1). Como o sol era forte, conseguíamos secar bem as coisas e tirar a areia, mesmo assim as bicicletas ficaram com areia nas correias e notamos a necessidade de tirar essa areia de alguma forma para não ocasionar em problemas no decorrer da viagem, contudo, até ajeitarmos bem as bagagens era dez horas e trinta da manhã, um tempo perdido que deve ser diminuído, pois pela manhã é o melhor horário para pedalar, o sol é baixo e diminui os gastos energéticos.


A dificuldade passada na noite passada reflete na organização que o acampamento ficou.

Uma das fotos que chamam atenção, demonstra a distância que tinha para acharmos algum local para dormir.

Três quilômetros a frente, nós encontramos um riacho com água que podíamos utilizar para tirar o excesso de areia nas correias, além de lavar a areia do corpo. No decorrer da viagem, muitas vezes acabávamos se distanciando conforme algum tinha mais vontade, enquanto outros ficavam para trás, as vezes algum sozinho desaparecia a centenas de metros atrás, seguidamente sem poder se enxergar um ao outro, pois era fácil de se distanciar, porém quando algum achava algo de interessante, ou o da frente parava sempre para se agrupar para descansar e pensar na continuidade da viagem.
Caminho sendo desbravado pela mãnhã.



Sete quilômetros da partida do dia e as doze horas e dez minutos, encontramos um grande lobo-marinho morto, o primeiro achado da viagem, uma das curiosidades que estávamos procurando, exceto por estarmos procurando talvez algum vivo. Paramos para tirar fotos, o Alexandre arrancou alguns dentes do animal (fig. 2), a carcaça estava exalando bastante o cheiro de podridão, mas o contato já deu uma baita motivação para a viagem.

Fig. 2 - Alexandre dentista necropsista.
Excisão de canino.


Cinco quilômetros a frente encontramos um navio, já marcava doze horas e quarenta minutos, o calor já era maior, porém o ritmo também começava a melhorar, era notável alguns sinais de cansaço, como a própria dor no meu joelho, mas parar era pior, a cada parada era um sacrifício subir e dobrar meu joelho para subir na bicicleta, no entanto eram necessárias e a vontade e a perseverança de desbravar aquela praia era incrível.
Quatro quilômetros a mais e encontramos a primeira tartaruga-marinha, o olhar novo para alguns já demonstrava o valor imensurável para a viagem, quase treze horas. Meia hora depois, e mais dois quilômetros percorridos encontramos uma espécie de banheiro, patente, coisa bizarra para se encontrar na beira da praia (fig. 3), ao lado encontrava-se uma entrada para carros onde dava numa floresta de Pinus, dava razão ao achado, paramos para o lanche, fizemos uma marcação de passagem nas tábuas que faziam parte da patente para que alguém veja que passamos realmente por ali.

Patente e Alexandre "aproveitando" a sombra.

Marca deixada na patente.

Ali o cansaço era notado, ficamos um bom tempo, cerca de mais de meia hora e antes de pegarmos praia novamente, avistamos a sul nuvens carregadas, discutimos se iríamos pedalar, mensurou-se a possibilidade de raios e os perigos adiante, pois alguns não tinham proteção individual para chuva, no entanto, demos partida e mais a frente a chuva começou e engrossou rapidamente, voltamos ao local onde tinha entrada para a floresta de Pinus, tentamos proteger as coisas, não adiantou, muitas coisas saíram encharcadas e para piorar o pneu da bicicleta do Fernando furou e na chuva mesmo trocamos ele.

Frente fria.

Na floresta de Pynus, notamos os cortes feitos nos troncos para a retirada da seiva das plantas e avistamos adentro da floresta umas casas e fomos pedir informações, uma delas era a quantos quilômetros se localizava o farol, o qual era o objetivo do dia. As pessoas que trabalhavam naquele local não aparentavam nenhuma amizade, além de aparentarem estarem trabalhando em condições ruins, uma coisa bem questionável, pois o que mais ficava era que as pessoas que estavam lá não tinham outra opção senão trabalhar naquele emprego. Quando caiu a chuva, a qual era torrencial mesmo, tentamos ir a praia durante a precipitação para se abrigar na patente, já que nas casas não podíamos ficar (e nem era bom mesmo), ventava muito na beira-da-praia, pois não tinha as barrreiras feitas pelos Pinus, foi difícil agüentar a chuva, mas a vencemos (fig. 4).

Fig. 4 - Pós-chuva.


As informações que obtivemos era que o farol ficava a 20 quilômetros adiante, todavia já eram dezoito horas e vinte minutos, como era horário de verão, anoitecia para mais das 20 horas, este era o sensato tempo para tentar o objetivo, demos partida. Incrivelmente chegamos bem no anoitecer, o sol estava se pondo, a visão do farol era mais um objetivo alcançado, incrível como sob pressão, os desafios são alcançados.

Estado calamitoso da equipe, farol detalhe.

Preparo do rango.

Tivemos de nos apressar para aproveitar o resto da luz que o sol ainda radiava, porém muitas afazeres ainda tiveram de ser concluídos no escuro, estávamos afoitos pelo jantar, armamos o acampamento, só dessa vez conseguimos um local bom, considerando o do dia anterior, era mais adentro, com um monte de areia que aparentava estar sob proteção de dois pinheiros exóticos, com vegetação rasteira ao redor e a cerca de um quilômetro do farol, que era desabitado, nem chegamos a ir ver o farol, pois já era noite e tínhamos coisas a fazer. Ali tinha lenha, no arrumar de tudo, podíamos dar início no rango, um dos melhores que fizemos, era tanta a fome, era uma espécie de massa com um monte de temperos, tinha queijo provolone, batata-doce, enfim entre uma e outra saciamos a fome, botamos algumas coisas secar perto da fogueira e organizamos o acampamento. Pela noite, avistávamos carros passando pela praia, que estava aparentemente longe, a praia do Hermenegildo é utilizada como estrada com várias entradas que vão adentro no continente. Fomos dormir por volta da meia-noite.

Rango.

Na mesa.

Dilíííícia!!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Dia 1 - 26 de março – Saída 7:10/ Horário de Brasília

A saída foi planejada para ser às 5 horas da manhã, todavia, surgiu vários imprevistos, o maior foi as bagagens que foram mal preparadas e nos tomou bastante tempo, saímos oficialmente pelas 7 horas e 10 minutos da manhã da Rua Tiradentes na esquina com Marechal Deodoro da Fonseca (Figura 1), como estava com pouco movimento na estrada estávamos numa quinta-feira, a afobação é um dos sentimentos normais, que deve ser controlado, pois a vitalidade física é uma das coisas realmente necessárias. No nosso caso, o preparo físico foi pegado na viagem, a força mesmo. Durante a viagem aconteceu determinadas ocasiões cômicas, como quando passávamos pela estrada, rodovia ou faixa víamos vários locais de vendas com frutas, e para nossa vitalidade seria boa uma melancia (auhauhaua), íamos passando, até que quando pensamos em parar realmente para comprar já tínhamos passado por todos pontos de venda. Entre paradas para tomar água, urinar, arrumar bagagem, alguns ajustes nas bicicletas, Geferson, Alexandre e Fernando passando protetor solar (Rômulo se negava a passar protetor solar, se dizia com melanina o bastante para se proteger dos raios ultravioleta) chegamos, enfim as 12 horas e 30 minutos em Rio Grande depois de pedalar 55 quilômetros.



Figura 1 – Local de saída.

A primeira coisa que pensamos quando chegamos em Rio Grande foi arranjar algum lugar para almoçar bem, este seria o último almoço “decente” antes de pegar a praia, depois de passar pela cidade e ir direto em direção ao Cassino (praia de Rio Grande), passamos pelas estradas principais até avistar a praia, paramos e começamos a procurar o tal lugar para almoçar, claro que seria caro este almoço, porém conseguimos um preço barato, chamado Lamassa, 8 reais, tinha pastel de camarão a La volonté, comemos o que podíamos, e demos aquela “sesteada” no chão mesmo, tiramos os tênis, e a partir daqui o aroma de verdade já estava sendo exalado e assim, acostumar-nos-íamos. Chegamos à frente de um supermercado mais próximo da praia, mas ainda antes fizemos mais um descanso pois achamos uma grama (figura 2), após este descanso fomos realmente comprar as coisas, compramos mais água (estas seriam o entrave pelo resto do dia), comidas para fazer a noite, gelatina (importante, pois as proteínas que contém na gelatina tem os mesmos aminoácidos componentes do colágeno, esta é uma proteína extremamente importante para as articulações), compramos pouca bala (açúcar de pronta assimilação). Quando fomos arrumar as bagagens já estava tarde, sem comentar que para sair as bagagens voltaram a incomodar, principalmente por causa dos garrafões de 5 litros que faziam as bagagens perderem o equilíbrio, perdemos mais de uma hora nessa função. Então, quando realmente voltamos a pedalar contava 17 horas e 20 minutos e já tínhamos feito 66 quilômetros percorridos, neste momento Rômulo começou a sentir uma lesão antiga no joelho, mas ainda disposto a andar foi dado prosseguimento na viagem.
Logo que saímos, demos sorte, pois o vento estava a favor e a facilidade já foi notada pela ajuda do vento (figura 3), não sabíamos o que nos esperava pela frente. Chegamos às 18 horas e 50 minutos no navio encalhado (figura 4), depois de 16 quilômetros um dos pontos bastante visitado por quem passa por lá, ficamos algum tempo e já estava escurecendo.


Figura 2 - Local de descanso pós almoço no Cassino (Rio Grande).



Figura 3 - Entrada pela praia do Cassino.


Figura 4 - Navio encalhado na praia do Cassino (16km de praia).

domingo, 10 de janeiro de 2010

Expedição pela maior praia do mundo!! Em construção...





A Expedição Litoral Sul - Brasil/Uruguai iniciou-se no dia 26 de março em Pelotas finalizando-se em Santa de Vitória do Palmar no dia 1 de abril.
Planejada por 4 estudantes de Biologia da Universidade Federal de Pelotas, Alexandre Schneid Neutzling, Fernando Jacobs, Géferson Kaster Garcez, Rômulo Cenci (eu) com finalidade de conhecer o extremo sul do litoral sul-riograndense.
Partimos do Cassino passando pela foz do Arroio Chuí até o Fortaleza de Santa Tereza no Uruguai. Antes de começar a descrever o diário dessa magnificante viagem, primeiramente precisamos falar que concerteza é uma viagem que vale muito a pena fazer, pois é um lugar conhecido por poucos, além de pouco estudado, extremamente lindo, com várias curiosidades o que pede que se planeje esta viagem para ficar mais tempo e curtir a paisagem, que deslumbra uma biodiversidade incrível, a qual esta a disposição de descobertas ocultas nesse recanto inexplorado do Rio Grande do Sul (note-se que em alguns trechos não se pode acampar).

Antes de tudo lembre-se de comprar todos os mantimentos extremamente necessários, não levar muita roupa, a menos que esteja no inverno, levar coisas que tenham mais de uma utilidade, pois quanto maior o peso mais difícil é de pedalar na areia, a qual é fofa em muitos trechos mesmo chovendo (processo que poderia assentar e compactar a areia). pegamos estas partes de difícil travessia ocasionando em perda de muito tempo chegando a um extremo para todos.

Deve ser dada muita atenção ao ajuste da bagagem, antecedente a partida da viagem, tem de se certificar que esteja realmente firme, para isso compre elásticos e mais alguns de reserva, pois são extremamente úteis, além de perder muitos no caminho.

Levamos cada um o que tínhamos de equipamentos, porém melhoramos nas bicicletas com bagageira, algumas manutenções como trocas de parafusos enferrujados, passagem de óleo, além de levar ferramentas é claro, usamos mochilona de garupa, mochilas normais de viagem, 2 barracas, colchão inflável, saco de dormir, colchão fino, plásticos e lonas para cobrir as coisas, capa de chuva, ... , uma panela (17 reais) e a máquina fotográfica que o Fernando também levou para tirar fotos da viagem. Saímos com 10 litros de água já de começo.